Operação “Efeito Colateral” aponta atuação por 10 meses, prejuízo estimado de R$ 1 milhão e possível falha em mecanismos administrativos de fiscalização
Documentos e informações oficiais da Polícia Civil e da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo indicam que um esquema de desvio de medicamentos de um órgão municipal de saúde de Barueri está sendo investigado após a deflagração da Operação “Efeito Colateral”, realizada em 24 de março de 2026.
A ação resultou em quatro prisões e no cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão nas cidades de Barueri, Santana de Parnaíba e Osasco. Segundo os dados divulgados, o esquema teria operado por cerca de 10 meses, com prejuízo estimado em aproximadamente R$ 1 milhão aos cofres públicos.
De acordo com a apuração policial, funcionários ligados ao setor de almoxarifado seriam responsáveis por retirar medicamentos de forma irregular do estoque público. Os produtos teriam sido repassados a terceiros e revendidos por meio de uma empresa utilizada para dar aparência de legalidade às transações, o que levou ao enquadramento investigativo em possíveis crimes de furto qualificado, associação criminosa e lavagem de capitais.
Além do impacto financeiro, a própria Secretaria da Segurança Pública afirma que o esquema comprometeu o atendimento na rede municipal de saúde, ao retirar de circulação medicamentos destinados a pacientes.
Apesar das informações divulgadas, não há, até o momento, identificação pública da unidade de saúde específica atingida, nem detalhamento oficial sobre quais medicamentos foram desviados.
O caso ocorre dentro de uma estrutura municipal que, segundo registros públicos, conta com rede ampliada de atendimento, incluindo dezenas de unidades de saúde, farmácias públicas e uma central de abastecimento de insumos e medicamentos.
Também consta que o município possui estrutura formal de assistência farmacêutica, além de mecanismos institucionais como auditoria interna em saúde e canais de ouvidoria, destinados ao controle e acompanhamento da gestão de insumos.
Diante desse cenário, a investigação policial passa a coexistir com questionamentos administrativos ainda não respondidos.
Entre os pontos que permanecem sem esclarecimento estão:
- qual unidade da rede foi diretamente afetada
- se houve identificação interna prévia do desvio
- quais mecanismos de controle estavam em funcionamento durante o período investigado
- se houve registro de falta de medicamentos por pacientes ou profissionais
- se foi instaurado procedimento administrativo interno após a operação
Até o momento, também não foram divulgados os nomes dos investigados, da empresa envolvida na revenda ou eventuais contratos vinculados ao caso.
A investigação segue em andamento, com possibilidade de identificação de outros envolvidos e aprofundamento sobre a extensão do esquema.
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✍️ Vinícius Mororó – Jornalista Atípico
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